sábado, 15 de agosto de 2020

 

Franquias baratas e lucrativas para empreender no pós-pandemia



De acordo com o relatório Impacto do coronavírus nos investimentos de franquias, produzido pelo Guia Franquias de Sucesso, a pandemia mudou os planos de 77% dos interessados em investir no franchising.

Ainda que a maioria tenha afirmado que não desistiu de abrir uma franquia nos próximos meses, a queda no orçamento e o receio em fazer grandes aportes durante a crise fizeram com que os candidatos se interessassem muito mais por franquias baratas e lucrativas.

Porém, só ter custo reduzido e boa rentabilidade não basta.

Quem está buscando um negócio que possa fazer sucesso no pós-crise também precisa avaliar quais devem ser os setores e modelos de negócios em evidência daqui para frente.

Baseado nas mudanças causadas pela pandemia e pelo que os especialistas têm enxergado para o futuro do franchising, veremos algumas dicas de franquias que podem se destacar.

Home office

Trabalhar em casa já era o desejo de muito empreendedores e, com a pandemia, a tendência é que o home office se fortaleça ainda mais.

Além de ser uma ótima opção para quem gostaria de ter mais flexibilidade na rotina diária, as franquias home office costumam se destacar entre as franquias baratas.

Esse modelo de negócio não exige investimento em aluguel de ponto comercial, reforma, mobiliário ou contratação de funcionários, o que o torna bastante econômico.

Paulo Ancona, sócio-diretor da Ancona Consultoria, especializada na gestão de negócios e franquias, também destaca que as franquias home based devem ser atrativas, especialmente, para os investidores que querem evitar exposição e o contato com outras pessoas – uma tendência muito forte enquanto durar a pandemia. 

Delivery

“O delivery passou definitivamente a ser incorporado como um hábito e isso se manterá em níveis muito mais altos do que antes da crise”, projeta Paulo.

A modalidade de entregas foi adotada em larga escala pelas franquias de alimentação e foi fundamental para reduzir os prejuízos no setor.

Porém, o delivery já tem sido incorporado a outros setores, como o de roupas e calçados, beleza, pet shop e ótica, por exemplo.

Há ainda as franquias de logística que se especializaram em serviços de delivery. Normalmente, são negócios em que o franqueado faz a gestão de um aplicativo ou plataforma que conecta empresas com os consumidores que desejam receber produtos em casa.

E-commerce

As franquias que permitem que os franqueados façam vendas à distância também devem receber mais atenção no pós-crise.

Prova disso é que o estudo desenvolvido pelo Guia também demonstrou que, nos últimos meses, o interesse em franquias de loja virtual passou de 35% para 57% entre os investidores.

Geralmente, são negócios home based, nos quais o franqueado faz a divulgação dos produtos e serviços através da internet.

Em alguns casos, o próprio dono da franquia faz o envio. Em outros, a franqueadora se encarrega de despachar as mercadorias ou prestar o serviço para o consumidor final, evitando que o franqueado tenha que manter um estoque.

Saudabilidade

O sócio-diretor da Ancona Consultoria também prevê bons resultados para as franquias ligadas à saudabilidade.

Entram neste segmento as franquias de alimentação saudável, de suplementos, de academias, de consultórios, farmácias, entre outras.

“Produtos ou serviços que tenham ligação com o bem-estar sofreram uma valorização com a pandemia. E se abriu a possibilidade de serem feitos em casa e à distância”, explica Paulo.

A telemedicina, por exemplo, é apontada pelo especialista como um dos nichos de franquias que deve fazer bastante sucesso porque une a praticidade de ter um atendimento à distância, com um segmento que se tornou ainda mais importante com a crise.

Produtos e serviços baratos

Paulo Ancona também sugere que os novos investidores deem preferência para as redes que comercializam produtos e serviços com valores acessíveis.

“A crise trouxe um agravamento da liquidez e do poder de compra das pessoas. Dessa forma, os modelos de negócios devem considerar produtos e serviços que sejam oferecidos a valores mais baixos”, recomenda.

Pensando nisso, setores que trabalham com artigos essenciais e que contam com preços finais mais atrativos para o consumidor, provavelmente serão mais vantajosos para os franqueados.


by Luiza Olinda, Guia Franquias de Sucesso

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

 

5 dicas para arrasar na entrevista de emprego por vídeo


A consultora de carreiras, RH e lideranças, Jacqueline Resch, dá 5 dicas para passar a melhor impressão nesse momento de ~tensão~



Se uma entrevista de emprego já vinha carregada de muita ansiedade quando boa parte dos processos seletivos eram presenciais, como fica agora, com as interações remotas? Com a pandemia, muitas empresas & recrutadores passaram a recorrer 100% ao digital para anunciar, selecionar e entrevistar candidatos a uma vaga.

Portanto, é hora dos profissionais também estarem aptos a superar as barreiras da timidez, ansiedade, distrações e insegurança (pesquisas já apontaram que esses dois últimos são agravados com chamadas em vídeo). O que vestir e como se comportar? Qual é o melhor cenário para compor a imagem que aparecerá para os recrutadores? A consultora de carreiras, RH e lideranças, Jacqueline Resch, dá 5 dicas para passar a melhor impressão nesse momento de ~tensão~. 

1- TESTANDO
Sabendo que esses encontros remotos podem ser mais tensos, teste a plataforma de videochamada com amigos ou familiares e cuide para que a roupa, local e cenário escolhidos tenham o mínimo de informação visual. Fundo neutro sempre cai bem. Nessas simulações você também poderá checar a conexão, iluminação e som. 

2- FOCO NO QUE IMPORTA
Evite ao máximos as distrações para que você possa manter o foco na conversa. Silencie ou feche aplicativos que emitam sinais sonoros ou visuais e deixe as pessoas que convivam com você avisadas sobre a necessidade de silêncio naquela faixa de horário.

3- DISCURSO ALINHADO
Revisite sua trajetória profissional e faça uma reflexão sobre suas competências vis as vis as competências que estão sendo demandadas para o cargo. Pesquise sobre a empresa. Visite o site e estude o que a mídia traz de informação sobre os projetos mais recentes. 

             Jacqueline Resch, consultora e sócia-diretora da RESCH RH (Foto: Marcos Ramos)

4- MOSTRE AO QUE VEIO
Se a plataforma permitir e o entrevistador fizer o convite, tenha a mão links ou pastas para compartilhar trabalhos que ilustrem e representem bem a qualidade das suas entregas. Estamos na era das informações visuais e isso pode atrair mais a atenção de quem está do outro lado.


5- CAIU A INTERNET? NÃO SE PREOCUPE
Não se sinta mal caso problemas técnicos aconteçam, como queda de luz, sinal ou se um vizinho desavisado interferir no silêncio daquela chamada, por exemplo. Tem situações que fogem do controle mesmo e os entrevistadores estão sensíveis a esses imprevistos.


by MARI NOGUEIRA, Glamour








quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Família em casa: 8 dicas para todos serem produtivos no home office

Por conta da pandemia de coronavírus, muitos brasileiros precisam trabalhar de casa na companhia de um amigo que divide o espaço ou de um parente. Saiba o que fazer para evitar brigas e melhorar a concentração

Casais, familiares e amigos que moram juntos têm a possibilidade de reforçar os laços durante a quarentena contra o coronavírus. Mas a itensa convivência pode provocar atritos, principalmente porque o isolamento social não significa, necessariamente, que todos estão de férias e ainda é preciso trabalhar ou estudar de casa. Reunimos dez dicas que podem reduzir o estresse de uma residência cheia e aumentar a produtividade de todos no home office. Confira: 

1. Defina horários 
Acordar, tomar banho, trabalhar, fazer as refeições, assistir televisão e ir dormir: estabeleça uma rotina para que todo mundo consiga equilibrar os momentos de trabalho e de lazer. Fazer horas extras é cansativo e ainda pode desgastar as relações. 

2. Divida as tarefas domésticas
Com a casa cheia o dia todo, parece que as atividades domésticas nunca acabam. Compartilhar as tarefas é uma maneira de não sobrecarregar ninguém, além de ajudar a manter tudo em ordem. Defina quem vai lavar as louças, quem vai tirar o lixo ou quem vai cozinhar, por exemplo. Revezar as atividades também é importante para deixar a rotina mais dinâmica. 

3. Arrume a cama
Deixar a cama bagunçada dá uma sensação de caos que atrapalha a produtividade. Manter o quarto (e toda a residência) organizada pode evitar brigas. 

4. Troque de roupa 
Trabalhar de pijama é tentador, mas não faça isso todos os dias: mudar o traje é importante para "encerrar" o período de descanso e embarcar nas tarefas do trabalho ou estudos com mais foco. 

5. Tenha espaços adequados para o home office
Se cada pessoa tiver um cantinho para trabalhar ou estudar, como um escritório ou uma escrivaninha, a produtividade melhora. Ficar na cama ou no sofá parece mais confortável, mas eles podem tirar a sua concentração. Dê preferência aos ambientes com boa iluminação (de lâmpadas ou natural) e ventilação. 

6. Façam as refeições juntos
Após determinar as horas de trabalho, use o horário de almoço ou jantar para reunir a família. Aproveite para descontrair, fazer piadas, contar histórias e se divertir. Para deixar o momento mais gostoso, monte uma mesa bem bonita com taças de vinhosguardanapos de pano, louças e talheres usados em ocasiões especiais.

6. Busque a privacidade
No banho, antes de dormir ou lendo um livro: separe momentos do dia para curtir a sua própria companhia. Conecte-se aos seus pensamentos e relaxe, pois uma mente mais tranquila evita atritos desnecessários. 

7. Faça pausas 
Tomar um café pela tarde, comer um lanchinho e fazer carinho no seu pet de estimação ao longo do dia é bom para esfriar a cabeça e retornar ao trabalho com mais atenção. Mas tenha cuidado: nada de perder horas navegando nas redes sociais ou batendo papo com as pessoas que moram com você. Separar 20 minutos para o break durante o horário de trabalho está ótimo.

8. Pratique exercícios físicos
Mantenha o corpo em movimento e libere toda a energia acumulada com o auxílio de aplicativos ou aulas online, quer permitem você fazer atividades em casa


by NATHALIA FABRO, Casa E jardim

Home office: dicas para montar o seu escritório em casa

Do espaço escolhido à organização, essas dicas vão ajudar a tornar as horas de trabalho mais agradáveis e produtivas



home office tem se tornado uma realidade para muitas pessoas nos últimos meses. Porém, por se tratar de uma nova forma de trabalho, existem dúvidas sobre como adotar este modelo, por isso listamos os principais pontos para montar seu escritório em casa e trabalhar de forma confortável, organizada e produtiva.

Para os especialistas no assunto, é importante considerar dois fatores principais: a organização física, que envolve escolha do espaço, decoraçãocores, iluminação e afins, e a da rotina, com regras de uso no dia a dia para alcançar bem-estar na relação entre trabalho, casa e família. Vamos a eles.

1. Escolha o espaço
Nem todo mundo dispõe de um cômodo ou espaço exclusivo para o home office. Se esse for o seu caso, opte por ambientes mais tranquilos para dividir as funções, principalmente se tem crianças em casa. “Boas opções são utilizar espaços como debaixo das escadasvarandas ou mesmo cantinhos do quarto”, diz a arquiteta Cris Paola. O melhor é deixar a cozinha e a área de TV livres para os tempos de diversão e crie um espaço que favoreça o seu foco.

Não existe uma metragem mínima para seu escritório, basta ter espaço suficiente para rack, aparador ou bancada. “O ideal é que a bancada tenha a altura de 75 cm. Se for usada por crianças também, opte por cadeiras ergonômicas, que têm ajustes de altura, encosto e assento”, explica Cris. Caso haja espaço, o ideal é que a bancada tenha 55 cm de profundidade e, no mínimo, 70 cm de largura. Mas, se o local for muito pequeno, o ideal é procurar um profissional para auxiliar. “Nesses casos a marcenaria sob medida pode atender até as demandas mais exigentes”, comenta o designer de interiores Newton Lima.

2. Organização gera produtividade
Invista em prateleirasgavetas e armários. Eles, sem dúvida, são ótimas opções para manter tudo no lugar. Caso não tenha muito espaço, a dica da personal organizer Carol Rosa é investir em caixas, que podem ser coloridas, ou cestos, principalmente se for um escritório montado na sala ou outro ambiente de convivência familiar. “Quando terminar o trabalho, guarde tudo dentro das caixas para voltar a ser casa novamente. É como fechar o escritório”, compara. “Senão ficamos com a sensação de que o trabalho nunca foi embora”, concorda Ingrid. Ela recomenda também retirar da mesa o que não é essencial para trabalhar. “Vale se livrar de pastas e papéis que não estão em uso. Reorganize estes itens em um armário do home office ou em outra parte da casa. O excesso de objetos em cima da mesa acaba prejudicando a produtividade”, afirma.

Não se esqueça de esconder os fios: a instalação apropriada de luminárias, computadores e impressoras faz toda diferença. A bagunça de fios e tomadas podem atrapalhar a circulação e a movimentação de cadeira e gavetas, o que impacta diretamente no campo de visão e concentração.

3. Uma decoração vai bem
Para quem faz reuniões, calls e chamadas de vídeo, é interessante criar um espaço visualmente agradável. Quadros e plantas podem fazer essa composição de fundo, por exemplo. “É primordial criar um ambiente bonito e organizado para quem acompanhará a reunião on-line. Afinal, isso faz parte da sua marca como profissional”, acredita a Ingrid. 

4. As melhores cores
Apesar de não existir regra para o uso de cores, além do assunto transitar pelo gosto pessoal e personalidade de cada um, a arquiteta Cris Paola indica tons de verde e azul, que, segundo ela, ajudam na concentração e trazem tranquilidade. Já os tons de laranja e amarelo, estimulam a criatividade. “Neste caso, invista em objetos”, aconselha.

5. Boa iluminação é essencial
Para trabalhar em home office é importante ter um espaço claro e muito bem iluminado. Considere a possibilidade de se acomodar em um ambiente que receba luz natural durante o dia. Ela é agradável, cansa menos e ajuda a economizar energia elétrica. Se a vista da janela for bonita, melhor ainda! Para a noite ou dias nublados, é necessário completar com uma iluminação artificial, que não incomode os olhos.

Segundo a arquiteta Nicole Gomes, CEO da Labluz, um dos principais fatores a serem levados em consideração é a tonalidade da luz. Se a lâmpada for muito branca, a sensação é de inquietude e cansaço em poucas horas de trabalho. Por outro lado, a cor amarela pode deixar a pessoa muito relaxada e, consequentemente, improdutiva. O ideal é usar uma lâmpada amarela neutra de 3.000 K.

Para quem tem um espaço dedicado especialmente ao home office, a recomendação é que o foco da iluminação seja a mesa de trabalho. Por isso, é possível usar pendentes ou outros utensílios com luz direta, que estejam bem posicionados em cima da mesa – e não atrás, para que não seja criada uma sombra no plano principal.

Se você trabalha em um espaço integrado na área social, a dica de Nicole é apostar em uma boa luminária de mesa. Além de integrar a decoração do ambiente, ela traz a luz necessária para que o trabalho não se torne tão intenso e estressante.

Se o trabalho se dá na sala de jantar, é bom adotar uma luz mais homogênea, ou seja, que não seja tão clara nem tão escura. Segundo Nicole, é possível obter esse resultado com um pendente de altura entre 70 e 90 cm, que colabora para não ofuscar o material de trabalho e deixar o ambiente mais confortável.

6. A cadeira precisa ser confortável
Segundo Ingrid, ter uma cadeira confortável para afastar as temidas dores na coluna é fundamental. Escolha com cuidado um modelo específico para escritório, que agrade e acomode bem a região lombar. Vale investir em um bom produto, com design, pois a cadeira vai ser uma de suas grandes companheiras de trabalho.

7. Plantas para ter no escritório
Além do visual mais agradável e fresco, as plantas também podem trazer benefícios à saúde. Um estudo publicado no Journal of Experimental Psychology: Applied, provou que ter verde por perto pode aumentar a concentração e a produtividade em até 15%. Outro estudo da NASA indica que em ambientes fechados algumas plantas podem remover até 87% das toxinas aéreas em apenas 24 horas. Mais do que bons motivos para ter plantinhas na mesa de trabalho e aproveitar o bem-estar que elas trazem.

É claro que existe uma infinidade de espécies que se dão bem nestes ambientes, mas se você não quer se preocupar muito com a manutenção, há opções bem simples de cuidar. Os cactos, por exemplo, requerem rega uma vez por semana no verão, enquanto nos dias frios apenas uma vez a cada 20 dias. A mesma simplicidade está na planta-jade, que não precisa de muita luz e regas apenas quando o solo estiver seco. A planta aranha, também chamada de clorofitos, é uma herbácia de porte pequeno que usa a luz indireta para seu desenvolvimento e, do mesmo jeito que as jades, a terra precisa estar seca antes de ser regada. As suculentas, além de dar um charme no décor, não ligam para o ar seco e a falta de água; é só observar se o solo está livre de umidade antes de aguar.

8. Crie uma rotina
Segundo Carol Rosa, é fundamental criar uma rotina, que não precisa ser rigorosa, mas trazer bem-estar. “Isso traz praticidade ao dia a dia, para não fazer a mesma tarefa várias vezes ou trabalhar além do horário estipulado”, diz.

No que se refere à produtividade, Ingrid Lisboa explica que é preciso tomar cuidado para não ser “contaminado” pelas demandas da casa. Então é importante separar o tempo que você vai trabalhar e o que vai cuidar das tarefas domésticas. “Eu não recomendo que as pessoas separem o momento que elas são mais produtivas no trabalho para fazer a limpeza da casa, por exemplo”, ensina.

Para dar conta da casa junto com o trabalho é preciso dividir as tarefas entre as pessoas que moram no local. “Não estou falando de ajuda, e sim de divisão. Uma boa dica para quem está em home office e tem criança pequena é fechar as portas. Se não for possível, avise as pessoas que estará em reunião. Organize-se como se estivesse realmente na empresa, no seu ambiente de trabalho convencional”, diz Ingrid.

Organizar o tempo é fundamental, por isso a especialista indica verificar, todos os dias de manhã ou no final do dia, quais são as atividades de trabalho, determinar horários e definir as prioridades. “Não seja multitarefas. Comece um assunto e termine. Desta forma, você vai sentir o dia render. Elimine as distrações como celular e alarme de e-mail, entre outras”, orienta.


by Sana FERREIRA, Casa E JARDIM







segunda-feira, 6 de julho de 2020

Coronavírus mudará a maneira de trabalhar?

Quem faz trabalhos de escritório está trocando blazers por pijamas e cadeiras ergonômicas pelo próprio sofá. Disseminação da covid-19 transforma a atividade profissional e mostra benefícios do trabalho remoto.

Enquanto escrevo este artigo, uso calça de moletom, faço pausas muito, muito, muito regulares. Por exemplo, para fazer café ou verificar o que há na geladeira. Venho trabalhando em casa há cerca de uma semana e, digamos, é divertido, frustrante, gratificante e irritante ‒ tudo ao mesmo tempo.
Atualmente, milhões de pessoas isoladas em suas próprias casas devem estar tendo experiências semelhantes. O coronavírus transformou o trabalho remoto numa realidade repentina. Sim, isso não é uma novidade. Startups de tecnologia, nômades digitais e novos gurus do trabalho vêm elogiando há muito seus benefícios, como o aumento de produtividade e felicidade.
Mas nem todo mundo estava exatamente ansioso para abraçar as possibilidades disponibilizadas pela tecnologia moderna.
Veja a Alemanha, por exemplo. Antes da propagação do vírus, somente cerca de um quarto das empresas permitia que pelo menos alguns de seus funcionários trabalhassem remotamente, de acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa de Emprego (IAB) da Alemanha.
O instituto também constatou que somente 20% dos funcionários faziam uso do trabalho remoto. E a maioria dos que não trabalhavam em casa, dizia preferir ir diariamente ao escritório.
Revolução do trabalho remoto?
Mas, no momento, muitos desses empregados não podem ir a seus escritórios. A Alemanha ‒ e todos os outros países afetados pelo coronavírus ‒ encontra-se em meio a um enorme experimento de trabalho remoto.
Isso levanta a questão de como a vida profissional vai continuar depois que retornarmos, tomara, a algo que se assemelhe vagamente à normalidade, pelo menos quem poderia, teoricamente, trabalhar em casa.
Vamos, simplesmente, guardar nossos laptops e voltar para o escritório? Ou as próximas semanas e meses provarão a eficácia do trabalho remoto ‒ e continuaremos a verificar o que há na geladeira e enviar e-mails de nossas cozinhas?
"Acredito realmente que isso mudará algo", disse por telefone Josephine Hofmann, do Instituto Fraunhofer de Engenharia Industrial. Segundo ela, as empresas passariam a ver os aspectos positivos de deixar os funcionários trabalharem de casa, agora que a única alternativa a isso é, basicamente, não deixá-los trabalhar.
Lições da China
Reuniões ineficientes e demoradas podem ser substituídas por um e-mail. Compromissos comerciais que exigem viagens podem ser transformados numa videoconferência.
Também após a crise, essas constatações podem permanecer, e levar as empresas a aumentarem sua infraestrutura de trabalho remoto. "Isso seria do interesse do nosso planeta, do nosso clima e de uma forma mais sustentável de trabalhar", acredita Hofmann.
Um estudo de caso na China parece, em princípio, encorajar essa mudança. A agência de viagens CTrip permitiu que alguns de seus funcionários de call center trabalhassem em casa. Um grupo de economistas mediu o impacto, constatando que eles estavam mais felizes, mais produtivos e economizavam dinheiro da empresa, reduzindo a necessidade de espaço de escritório.
Na realidade, o experimento foi tão bem-sucedido que a diretoria logo o estendeu a toda a empresa – só para descobrir que trabalho remoto não funciona para todos. Enquanto alguns podem ser bem-sucedidos, conseguindo executar tarefas após tarefas no conforto de seu próprio sofá e longe da presença sondadora de seus supervisores, outros podem se sentir abandonados. Alguns funcionários da CTrip disseram que a principal para não gostar do trabalho remoto era se sentirem sozinhos.
E isso é algo que constato: depois de uma semana trabalhando sozinho à mesa da cozinha, sinto falta da troca de ideias com meus colegas. Estamos em contato, é claro, por e-mails, mensagens de texto, telefonemas ‒ até tomamos um drinque rápido juntos depois do trabalho, num bate-papo por vídeo. Mas não é o mesmo que a avalanche espontânea de energia criativa proporcionada por um espaço compartilhado de escritório.
No futuro, o melhor de dois mundos
"A solução será trabalhar do lugar certo no momento certo", explicou via Skype Tristan Horx. Ele atua no Zukunftsinstitut, um think tank da Alemanha que pesquisa tendências futuras. Horx afirma que ambientes diferentes favorecem diferentes tipos de trabalho ‒ e os empregados estarão cada vez mais inclinados a buscar isso.
Ou seja: no futuro, os funcionários poderão realizar a partir de casa tarefas individuais que exijam muita atenção, e ir ao escritório quando precisarem trabalhar juntos em determinados projetos.
Com o mundo do trabalho já indo nessa direção, Horx afirma que a situação atual deverá acelerar essa mudança: "Quem tem muitas reuniões virtuais no momento perceberá como é melhor um processo criativo de colaboração real numa reunião 'analógica'."
Sim, o coronavírus deverá mudar a forma como trabalhamos, pois, se as empresas constatarem que podem enfrentar essa crise com seu pessoal em casa, "business as usual" não será o desafio mais difícil.

by A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
    


domingo, 5 de julho de 2020

O fim da era dos escritórios?

Há gente que já fala no fim do escritório, outros veem exagero na previsão. Mas o home office definitivamente ganhou fôlego na pandemia do novo coronavírus, e algumas mudanças podem ser duradouras.



"A centralidade do escritório acabou", tuitou recentemente o fundador e presidente do Shopify, Tobi Lütke.

Já o chefe da Google, Sundar Pichai, planeja reembolsar em até 1.000 dólares os funcionários que compraram equipamento e móveis de escritório para trabalhar de casa durante a pandemia do novo coronavírus.

Analistas afirmam que o mundo do trabalho pode estar diante de uma grande mudança. "Depois da previsão sobre a 'morte da distância', em 1997, grandes cidades prosperaram como nunca antes", diz o professor de geografia econômica Paul Cheshire, da London School of Economics. Agora elas terão que se ajustar para sobreviver, acrescenta.

Em 2018, uma pesquisa do Censo dos EUA revelou que apenas 5,3% dos americanos trabalhavam integralmente em home office.

O analista Rich McBee, presidente da empresa Riverbed, especializada em trabalho remoto, calcula que entre 15% e 20% das pessoas que trabalhavam no escritório não vão retornar depois da pandemia.

A empresa de consultoria Global Workplace Analytics estima que empregadores poderão economizar em média 11 mil dólares anuais para cada pessoa que fizer meio período de home office, principalmente por meio de aumento de produtividade, menores custos de instalações físicas, menor absentismo e rotatividade no emprego e melhor preparo para situações de emergência.

"Vamos certamente observar empresas que historicamente resistem ao home office em alguns casos reduzindo custos", comenta Mat Oakley, da agência imobiliária Savills.

Quem trabalha de home office também pode estar disposto a receber menos. A empresa de serviços de conexão Log MeIn ouviu 2.200 trabalhadores em abril, nos Estados Unidos, e descobriu que 62% deles aceitariam um corte no salário para trabalhar de casa.

Cidades mais vazias

Um aspecto central na mudança é que as cidades podem esvaziar, prédios comerciais poderão ficar abandonados e novos prédios comerciais poderão nem ser construídos. Por outro lado, a velocidade e a segurança da internet terão que aumentar.

Estudos que avaliam o impacto ambiental da mudança ainda não são conclusivos, por exemplo sobre se o maior uso de eletricidade e internet em casa seria compensado pela diminuição do uso no escritório.

O home office também cria questões de espaço em casa e o problema da sobreposição de trabalhos profissional e doméstico. "Eles são divididos de forma desigual, e as mulheres acabam sobrecarregadas. O aumento da violência doméstica durante a pandemia é um alerta bem concreto", diz o sociólogo Les Back, do Goldsmiths College, de Londres.

Outro aspecto é que a mudança certamente não virá para todos. Operários, enfermeiros, motoristas de ônibus e vários outros profissionais jamais terão a opção de fazer home office.

"A situação nas cidades já mudou. São os trabalhadores mal remunerados, frequentemente negros, que mais andam de transporte público e correm risco de contágio na pandemia, enquanto a classe média branca cuidadosamente evita ir à cidade. Penso que as cidades vão se tornar ainda mais divididas", diz Back.

O transporte público, vital para o funcionamento das grandes cidades, enfrentará um grande desafio na fase pós-epidemia, principalmente no curto prazo. "Há uma necessidade de subsídios públicos ainda maiores", observa Cheshire. Para ele, viagens de trabalho, aeroportos, centros de convenções hotéis enfrentarão dificuldades também no longo prazo.

Muitos preferem o local de trabalho

"Penso que estamos num ponto de virada. Há uma reorientação, uma recalibragem da relação espaço-tempo-vida social", diz Back."Poderemos ver profundas mudanças e algumas coisas poderão jamais ser como eram antes", acrescenta.

"Se de fato adotarmos uma abordagem de home office, há implicações claras para as telecomunicações e a internet de banda larga, e mais ainda se conurbações avançarem sobre áreas rurais", comenta a economista Rebecca Larkin.

Mas outros analistas afirmam que a ascensão do home office não vai acabar com os escritórios. "A história, e também a nossa pesquisa mais recente, mostram que o escritório não vai desaparecer tão cedo", comenta o diretor de soluções corporativas da agência imobiliária JLL Neil Murray.

"O escritório vai manter sua importância como facilitador de inovação e colaboração e também de saúde, bem-estar e produtividade dos funcionários", afirma.

Uma pesquisa da JLL diz que 58% dos trabalhadores sentem falta de seus escritórios, e esse sentimento é ainda maior entre os mais jovens.

Outra pesquisa, da empresa de arquitetura e design Gensler, afirma que apenas 12% dos trabalhadores querem trabalhar de casa em tempo integral, e 70% diz que gostaria de passar a maior parte do tempo no escritório.

"Há ampla evidência de que a concentração espacial de escritórios eleva a produtividade, considerando todos os demais aspectos. Isso vale não só na horizontal, mas também na vertical. Trabalhadores em prédios altos são mais produtivos", afirma Cheshire.



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